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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

É no silêncio que se fala.

Há momentos em que pensamos "Sou mulher, sangro quase uma semana, posso dar à luz, quase que me desdobro em 3 ou 4 se for preciso, ando de saltos altos para o trabalho ou para uma apresentação para parecer ainda mais profissional... " entre tudo o que se vê do que somos capazes, só há uma coisa que não conseguimos aprender , a aguentar a dor de uma desilusão.
Quando a bomba explode a 1ª reação é "não lhe respondo mais" e para a amiga é "eu estou bem, sabes? acho que estou melhor assim , não vais ver nenhuma lágrima e eu vou sorrir" . Errado! Podemos passar o dia inteiro com a cabeça ocupada, passar pela pessoa que nos magoou e sorrir ou então desviar o olhar abruptamente , a sorrir, tentar mostrar que sim que estamos bem, mas é quando tudo sossega que a historia muda.
Basta às vezes entrar numa cama e no escuro o pensamento salta para cima de nós " como é que deixei que isto acontecesse?" , e a força toda que fizemos durante o dia essa sim desaparece para dar lugar não a uma fraqueza mas sim a vazio. Vazio esse que choca, abala e traz-nos a revolta , essa revolta acaba por ir numa gota de água que os cientistas dizem que se chama de lágrima.
Essa lágrima normalmente não costuma andar sozinha , companhia é o que ela precisa. Não faz mal chorar, não há mal nenhum, alivia a alma, alma essa que dói, não é o coração que dói, esse é um músculo que permite bombear o sangue pelo corpo, logo não dói, isso é coisa de romance.
No dia a seguir é pior, a vulnerabilidade esta mais activa e temos medo de chocar contra alguém e de a fraqueza aparecer, é fraqueza desabar à frente da pessoa em questão , ao pé das amigas não! Para alguma coisa se chama de amigas.
É sempre bom pedir desculpa, ajuda a atenuar o que se pode vir a sentir depois , mas tem de ser cara a cara, seja em que situação for! É cara a cara, nunca por mensagem , e-mail, facebook ! Nunca.
O medo ás vezes é que sejamos nós a piorar a situação se nos vem falar depois do caos instalado , podemos ter o discurso planeado e na volta, o que apenas tinha ficado pelo "não vou dizer nada" passa para um violento despejo de emoções que nem nós pensávamos ter.
Parece que aguentamos com muita coisa, e aguentamos, mas também não somos de ferro, da mesma forma como dizem que o homem não chora nós não mostramos o nosso lado mais frágil .
Mas é na almofada que as lágrimas ficarão.

1 comentário:

J. disse...

Por mais longe que esteja, por mais silencioso que esteja, eu estou sempre a uma distancia de uma chamada, de um e-mail .
Não gosto de falar contigo e ver que há amargura na tua voz , isso eu não gosto.